Eduardo Bolsonaro adora posar de “embaixador paralelo” dos interesses do pai e da extrema-direita, mas nos Estados Unidos existe lei — e lei séria. A Foreign Agents Registration Act (FARA), criada em 1938, obriga qualquer pessoa que atue em nome de governo estrangeiro a se registrar no Departamento de Justiça (DOJ). Quem não cumpre a regra arrisca até US$ 250 mil de multa e cinco anos de prisão.
Eis o dilema do “03”: suas viagens aos EUA, encontros com Donald Trump e lobby contra juízes brasileiros têm a cara de atuação de agente estrangeiro não registrado. Se declarar oficialmente suas atividades, terá que expor cada fonte de financiamento, agenda de contatos e a ligação escancarada com o trumpismo. Se não declarar, pode acabar atrás das grades.
Trump é amigo, mas não é juiz
Sim, Trump é simpático a Eduardo. Mas há um detalhe que o filho do ex-presidente insiste em ignorar: o DOJ não decide sozinho, e as leis, quando judicializadas, passam pelo crivo dos tribunais. A Justiça americana opera com independência — um legado reforçado desde o escândalo de Watergate. Ou seja, não adianta apostar apenas no abraço do “Tio Sam” trumpista.
O presidente pode nomear procuradores e pressionar politicamente, mas não controla as cortes. E se o caso parar no Judiciário, Eduardo e Trump ficam expostos: um como agente estrangeiro clandestino, o outro como cúmplice por conveniência.
O relógio político joga contra
Outro fator apimenta a situação: no meio do ano que vem, o Congresso americano pode mudar de configuração. Hoje a maioria é trumpista, mas as pesquisas já apontam uma reviravolta em curso. Eduardo Bolsonaro está apostando todas as fichas num tabuleiro que pode virar de cabeça para baixo em poucos meses. E quando a maré mudar, não haverá camaradagem ou aceno político capaz de segurar o tranco.
A vergonha global
Se o DOJ decidir agir, Eduardo Bolsonaro vai descobrir que a retórica de “patriota” cai por terra diante da lei americana. E o mundo inteiro verá a cena grotesca de um deputado brasileiro virando réu nos EUA — exposto como agente estrangeiro, com direito a prisão de até cinco anos.
O “03” pode até acreditar que Trump é sua blindagem. Mas lá, diferente daqui, lei é lei. E quando o Congresso mudar, até o apoio do amigo poderoso pode evaporar.
Traidor da pátria aqui, agente clandestino lá. A conta chega, e nos EUA não tem foro privilegiado nem jeitinho.








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