Gabriel Bortoleto reacende a chama do Brasil na Fórmula 1 — e encerra um ciclo de altos e baixos desde Ayrton Senna

por | ago 4, 2025 | NOTÍCIAS

A morte de Ayrton Senna em 1994 foi um divisor de águas para o automobilismo brasileiro. Além da comoção nacional, abriu uma lacuna que o país passou anos tentando preencher. De lá pra cá, foram 15 brasileiros diferentes no grid, dezenas de tentativas, algumas glórias… e muitas frustrações. Agora, com Gabriel Bortoleto, uma nova luz se acende no fim do túnel — e parece forte.

Senna empilhou títulos, vitórias e pole positions. Após sua morte o Brasil não teve mais campeões mundiais

🏁 Pós-Senna: uma montanha-russa de esperanças

Logo após a tragédia de Imola, o jovem Rubens Barrichello assumiu a ponta da torcida nacional. Com 18 temporadas disputadas, foi o mais longevo piloto brasileiro da era pós-Senna, com passagens por Jordan, Stewart, Ferrari, Honda, Brawn GP e Williams. Conquistou 656 pontos, foi vice-campeão mundial em 2002 e 2004, e brilhou ao lado de Michael Schumacher — mesmo sendo, muitas vezes, tratado como escudeiro.

Rubens Barrichello, mesmo sendo reconhecidamente um talento, não chegou ao título mundial

Em seguida veio Felipe Massa, outro nome que deixou sua marca. Com 15 temporadas no currículo, Massa somou impressionantes 1.167 pontos. Sua melhor chance de título veio em 2008, quando perdeu o campeonato por um ponto, na última curva do GP do Brasil, que decepção!! Em tempo, teve também aquela chegada do Rubinho, com o famoso “Hoje não, hoje sim, hoje não!”, que entrou para a história como uma das maiores decepções do esporte.

🎯 Quem decepcionou

Ao longo dessas três décadas, também houve quem não entregasse o que prometia:

  • Ricardo Rosset, Antonio Pizzonia e Luciano Burti chegaram com respaldo técnico e apoio de mídia, mas não deixaram marcas.
  • Cristiano da Matta, campeão da CART nos EUA, fez apenas 2 temporadas apagadas pela Toyota.
  • Pedro Paulo Diniz correu por cinco temporadas, com poucos pontos e sem grande destaque.
  • Até mesmo Bruno Senna, sobrinho de Ayrton, viveu sob a sombra do tio — somou 31 pontos em três temporadas, sem convencer.

🔥 O Brasil saiu de cena

Felipe Massa chegou perto, mas amargou um polêmico vice campeonato

Desde que Felipe Massa se despediu em 2017, o Brasil entrou num hiato inédito. Nenhum piloto titular. Nenhum ponto. A nação que um dia viu Senna, Piquet e Fittipaldi dominar pódios, virou apenas coadjuvante. Pietro Fittipaldi fez duas provas em 2020, mas apenas como substituto. O orgulho ficou adormecido. Até agora.

✨ Gabriel Bortoleto: um novo começo

Campeão da F3 em 2023 e da F2 em 2024, Gabriel Bortoleto não chegou só com currículo — chegou com atitude. Com apoio da equipe de Fernando Alonso, o paulista estreou em 2025 como titular da Stake F1 Team Kick Sauber, equipe que será oficialmente a Audi em 2026.

Gabriel Bortoleto, a esperança tem nome

Logo nas primeiras corridas, mostrou firmeza. Pontuou na Áustria (8º lugar) e brilhou na Hungria, terminando em 6º e sendo eleito Piloto do Dia. Em uma temporada de adaptação, já superou expectativas e abriu caminho para se tornar o próximo ídolo do automobilismo nacional.

🌱 Uma nova geração se forma

E Bortoleto pode ser só o começo. O Brasil começa a reencontrar sua veia de formação de talentos com nomes que merecem atenção:

  • Felipe Drugovich, campeão da Fórmula 2 em 2022, segue como piloto de testes da Aston Martin e ainda mira uma vaga no grid nos próximos anos. Tem talento e bagagem.
  • Rafael Câmara, 19 anos, acaba de conquistar a Fórmula 3 de 2025. O pernambucano, que integra a Ferrari Driver Academy, é visto como uma joia em Maranello.
  • Pietro Fittipaldi, neto de Emerson, segue como piloto reserva da Haas. Mesmo sem oportunidades recentes como titular, tem experiência e credibilidade no paddock.

Se antes tínhamos um vazio, agora temos um pit-lane. Uma base sólida, com Gabriel já como realidade e os outros como potenciais titulares até 2027.

🧭 E agora?

Com apenas 20 anos, Gabriel Bortoleto tem o que nenhum brasileiro teve desde a era Massa-Barrichello: tempo e estrutura para crescer. Se a Audi cumprir a promessa de entregar um carro competitivo, o Brasil pode voltar a sonhar grande. O que era um jejum amargo, agora é uma página virada.

E o melhor: não é mais só saudade, é retomada.

Por Joel Silva

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