Concessão bilionária prevê duplicações, terceiras faixas, contornos urbanos e pedágio eletrônico somente após melhorias na malha viária
A Rota da Celulose, um dos principais corredores logísticos de Mato Grosso do Sul, entra oficialmente em uma nova fase. Um consórcio liderado pela XP Investimentos assume, no fim de janeiro, a concessão de 870,3 quilômetros de rodovias federais e estaduais, marcando o início da gestão privada de trechos estratégicos para o escoamento da produção e a mobilidade regional.
A assinatura do termo de transferência está prevista para os próximos dias, conforme anunciado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, e deve ser seguida por um evento oficial que marcará o início do contrato. A concessão terá duração de 30 anos e está entre os maiores projetos de infraestrutura viária já realizados no Estado.
Quais rodovias entram na concessão
O pacote concedido inclui trechos fundamentais da malha rodoviária sul-mato-grossense, entre eles:
- BR-262, no eixo entre Campo Grande e Três Lagoas;
- MS-040, ligando Campo Grande a Santa Rita do Pardo;
- MS-338, no trecho entre Santa Rita do Pardo e Bataguassu;
- BR-267, conectando Bataguassu a Nova Alvorada do Sul.
Essas rodovias são consideradas vitais tanto para o transporte de cargas — especialmente da cadeia da celulose — quanto para o deslocamento diário da população.
Investimentos e obras previstas
O contrato prevê mais de R$ 10 bilhões em investimentos ao longo do período de concessão. Entre as principais intervenções programadas estão:
- duplicação de 115 quilômetros de pistas;
- implantação de 245 quilômetros de terceiras faixas;
- construção de 38 quilômetros de contornos urbanos;
- implantação de 12 quilômetros de vias marginais;
- instalação de 22 passagens de fauna, ampliando a segurança ambiental;
- alargamento e adequação de pontes.
As obras têm como foco aumentar a segurança viária, melhorar o fluxo de veículos e reduzir custos logísticos, especialmente para o setor produtivo.
Pedágio eletrônico e exigências contratuais
Um dos pontos destacados no modelo de concessão é que a cobrança de pedágio só poderá começar após a execução das melhorias iniciais previstas em contrato. Antes disso, a concessionária deverá garantir pavimento adequado, sinalização completa, drenagem eficiente e correção de trechos críticos.
Quando implantado, o sistema de cobrança será o free flow, totalmente eletrônico, sem praças físicas ou cancelas. A tarifa será calculada de forma proporcional ao trecho percorrido, com valores estimados entre R$ 5,15 e R$ 16,55, dependendo da distância.
Impacto para o desenvolvimento do Estado
A Rota da Celulose é considerada estratégica para o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul. A modernização da malha rodoviária deve impulsionar a competitividade do setor industrial, melhorar a logística do agronegócio e trazer reflexos diretos para o comércio, o turismo e a segurança dos usuários das estradas.
Com a formalização da concessão, o Estado aposta em uma nova etapa de investimentos privados para transformar a infraestrutura viária e acompanhar o ritmo de crescimento econômico observado nos últimos anos.







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