A paralisação iniciada nesta segunda-feira (22) por servidores da Santa Casa de Campo Grande abriu uma onda de críticas e tentativas de apontar culpados. Porém, em nota oficial divulgada pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), o Governo de Mato Grosso do Sul deixou claro: não existe pactualização que obrigue o Estado a pagar o 13º salário dos funcionários do hospital — motivo central do protesto.
Governo esclarece situação financeira
Segundo a SES, nos últimos anos o Estado realizou, de forma extraordinária, pagamentos adicionais a hospitais filantrópicos para ajudar no custeio e cumprimento de obrigações, incluindo o próprio 13º. No entanto, o Governo reforça que esses repasses não criaram obrigação permanente, nem fazem parte da contratualização formal com a Santa Casa.
A nota também detalha o fluxo financeiro. O repasse estadual é feito via Prefeitura de Campo Grande, sempre no quinto dia útil, conforme pactuado.
De janeiro a outubro, o Estado transferiu R$ 90.773.147 — uma média mensal de R$ 9.077.314,70. Em novembro, houve acréscimo de R$ 516.515,89, totalizando R$ 9.593.830,59 no mês.
Além disso, o Governo afirma estar integralmente em dia com todas as obrigações e lembra que, só em 2025, destinou R$ 25 milhões extras, via bancada federal, especificamente para fortalecer o atendimento da Santa Casa.
Protesto e reivindicações
O movimento dos trabalhadores começou pela manhã, com cerca de 600 servidores concentrados ao redor do hospital, protestando contra o atraso do 13º salário e rejeitando a proposta de parcelamento em três vezes. Mesmo assim, a unidade manteve 70% do efetivo, garantindo atendimentos de urgência.
Representantes sindicais afirmam que o protesto não se limita ao 13º. Denunciam atrasos recorrentes, falta de materiais, medicamentos, insumos e sobrecarga crescente, que estaria levando a afastamentos por adoecimento. A Santa Casa tem aproximadamente 3.600 funcionários.
Riscos assistenciais
O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina) manifestou preocupação com um possível colapso assistencial, relatando baixo estoque de remédios de emergência e lotação constante. Especialistas alertam que, caso o impasse se prolongue, a rede de saúde de Campo Grande poderá sentir o impacto imediato.
Impasse continua
Com a nota, o Governo busca reposicionar o debate, destacando que não há acordo que o vincule ao pagamento do 13º, e que os repasses regulares estão em dia e aumentaram em novembro.
Do outro lado, os servidores seguem cobrando uma solução imediata e afirmam que a situação do hospital é insustentável.
O cenário agora é de negociação tensa, com dois lados pressionados:
- Trabalhadores, que exigem o pagamento integral e denunciam precarização;
- Governo, que reforça cumprir rigorosamente o pactuado e nega responsabilidade sobre o atraso.
O desfecho dependerá das próximas conversas entre direção do hospital, Prefeitura e Governo do Estado — enquanto a população acompanha com preocupação o impacto na maior unidade hospitalar de Mato Grosso do Sul.









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