Editorial — Quando falta gestão, sobra acusação

por | dez 6, 2025 | Colunista, Destaques, informes, NOTÍCIAS

Mais uma vez, Campo Grande assiste a um capítulo que já virou rotina no Paço Municipal: em vez de trabalho concreto, acusações — sempre sem prova, sempre mirando quem ousa discordar. Agora, a bola da vez é Rose Modesto, chamada pela prefeita Adriane Lopes de “desocupada” e acusada de contratar “bandidos com mais de 50 passagens” para protestar na inauguração do Natal. Palavras fortes. Provas? Nenhuma apresentada até agora.

E quando o discurso vira arma, o Judiciário entra em campo. Rose recorreu ao Tribunal de Justiça pedindo interpelação criminal, exigindo que Adriane diga com todas as letras o que afirma diante dos microfones — e não apenas em frases soltas para plateia aplaudir. Nada mais justo: quem acusa tem o dever de comprovar. Simples assim.

Enquanto isso, Marquinhos Trad já foi direto e reto: queixa-crime, pedido de condenação, R$ 150 mil por calúnia. Sem rodeios.

Rose preferiu o caminho da responsabilidade — primeiro pede que Adriane explique. Que detalhe: quando se está seguro do que diz, explicar não deveria ser problema.

Mas é aqui que o caso ganha contornos preocupantes. Porque se a Prefeitura transforma crítica em crime, manifestantes em “inimigos públicos”, e oposição em “bandidagem”, não estamos diante de um governo firme — estamos diante de um governo acuado. Acusação sem prova é desespero político, não gestão.

Enquanto as luzes de Natal brilhavam, brilhou também o vexame: protesto, guardas municipais em confronto com cidadãos e a prefeita incendiando o debate com declarações explosivas. Campo Grande precisava de pacificação, diálogo, resultado. Recebeu desaforo.

E Rose — que pode ter defeitos, como qualquer figura pública — mostrou algo que a atual gestão vem esquecendo: postura institucional. Não subiu o tom, não fez espetáculo. Apenas foi ao fórum cobrar explicações. Perguntas simples, diretas, incômodas:

Quem são os “bandidos”?

Onde estão as provas?

Qual professor?

Contratado por quem?

E por qual evidência Rose estaria por trás disso?

Se há provas, que sejam apresentadas. Se não há, que se peça desculpa. Só existe um desses caminhos na democracia.

Enquanto a prefeita se perde em narrativas inflamadas, Rose ocupa o centro de um debate que Adriane não consegue controlar. E aqui está a ironia: quem chamou a adversária de “desocupada” agora terá que ocupar tempo respondendo no Tribunal.

Campo Grande merece mais que fogo cruzado. Merece respostas — e, no mínimo, respeito às instituições.

Porque quando falta gestão, sobram acusações.

E quando sobra acusação sem prova, a Justiça bate à porta.

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