Prometido desde 2022, o sistema de parquímetros continua fora do ar, comerciantes sofrem prejuízos e Prefeitura não apresenta cronograma definitivo.
Campo Grande (MS) O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Vicente Neto (Papy – PSDB), sintetizou nesta terça-feira (4) o sentimento de frustração de boa parte da população e do comércio da Capital: “Virou uma lenda esse tal estacionamento rotativo”. A declaração, feita após a sessão plenária, expõe um problema que já se arrasta há mais de três anos, sem solução prática por parte da Prefeitura comandada por Adriane Lopes (PP).
Desde março de 2022, quando o contrato com a antiga concessionária Flexpark chegou ao fim, as vagas do centro de Campo Grande permanecem sem controle, e a prometida licitação para retomada do serviço ainda não saiu do papel.
Comércio sente no bolso
A ausência de rotatividade no estacionamento impacta diretamente o comércio central. De acordo com dados da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-CG), o ticket médio das compras no centro caiu de cerca de R$ 152 para R$ 49, reflexo da dificuldade de os clientes encontrarem vagas disponíveis.
“Hoje, funcionários e moradores ocupam as vagas o dia inteiro. Quem vem comprar não acha espaço e vai para os shoppings. A cidade está perdendo em mobilidade e consumo”, relatou o presidente da CDL durante audiência pública.
Em protesto simbólico, comerciantes chegaram a “comemorar” o aniversário do apagão dos parquímetros com bolo e parabéns, ironizando os 43 meses de espera pela volta do sistema.
O que a Prefeitura promete — e ainda não entrega
A prefeita Adriane Lopes afirma que o novo projeto de estacionamento rotativo está “em fase final de conclusão”, mas não há data definida para envio à Câmara. Segundo ela, o modelo deve contemplar até 6.200 vagas, mais que o dobro das 2.458 que existiam no contrato anterior.
O plano prevê uso de tecnologia moderna: sensores de vaga, parquímetros multivagas e aplicativo integrado para pagamento e consulta em tempo real. A tarifa prevista no estudo técnico inicial é de R$ 4,40 por hora, valor cerca de 60% superior ao cobrado antes da suspensão (R$ 2,75).
Pelos cálculos oficiais, a arrecadação seria revertida parcialmente para o Fundo Municipal de Mobilidade Urbana, a ser criado junto com o novo contrato — embora ainda não haja transparência sobre percentuais e mecanismos de fiscalização.
Licitação emperrada e entraves jurídicos
O edital da nova concessão, prometido inicialmente para agosto de 2025, não foi publicado. Fontes da Secretaria de Governo alegam que a demora ocorre devido à falta de empresas interessadas, em razão do prazo curto de concessão (12 anos) e da exigência de assumir cerca de R$ 3,5 milhões em créditos antigos de usuários da Flexpark.
Na prática, o modelo ainda não convenceu o mercado privado. “Estamos encerrando o ano e o Executivo nem mandou o projeto. Sem isso, a cidade continua parada”, disparou Papy.
Cronograma que nunca chega
O histórico do impasse é uma novela:
- Março/2022 – Fim do contrato da Flexpark e paralisação do sistema.
- Abril/2024 – Prefeita sanciona lei autorizando nova concessão por até 12 anos.
- Agosto/2025 – Anunciado o lançamento do edital, mas a publicação não ocorreu.
- Novembro/2025 – Câmara volta a cobrar prazos e reclama da falta de transparência.
Enquanto isso, motoristas seguem sem controle de vagas e lojistas acumulam prejuízos, enquanto o tema permanece na gaveta da administração municipal.
Câmara quer transparência e debate público
O presidente da Câmara reafirmou que, assim que o projeto chegar, será submetido a comissões técnicas e audiências públicas, para garantir transparência e discutir tarifas, destinação da receita e obrigações da futura concessionária.
“Não podemos repetir o erro de entregar algo sem debate. É um serviço público que mexe com a rotina da cidade inteira”, destacou Papy.
O que está em jogo
Além da arrecadação municipal, o estacionamento rotativo é visto como peça-chave para:
- Revitalizar o centro histórico da Capital;
- Aumentar a circulação de consumidores;
- Organizar o trânsito urbano;
- Reduzir a ocupação irregular de vagas;
- Gerar recursos para o transporte público.
Por enquanto, porém, o sistema que deveria facilitar a vida de quem circula por Campo Grande continua estacionado na burocracia.
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