Substituição de Youssif Domingos por Ulysses Rocha mantém a mesma estrutura e linha de comando da gestão Adriane Lopes
Em meio ao discurso de “ajuste e renovação”, a Prefeitura de Campo Grande anunciou a nomeação de Ulysses Rocha como novo secretário de Governo e Relações Institucionais. A troca, porém, não representa nenhuma mudança prática: Ulysses já atuava como secretário-adjunto da pasta e, além disso, acumulava a função de secretário de Comunicação, atendendo diretamente às demandas de imprensa e à distribuição de mídia para as agências contratadas.
Nada de novo no cenário político
A nomeação de Ulysses Rocha não é resultado de uma reestruturação administrativa, mas sim de uma sucessão previsível dentro do mesmo grupo político.
Segundo fontes ligadas ao Executivo, quem indicou Ulysses originalmente foi o então secretário de Governo Marco Aurélio Santullo, a pedido da deputada federal Tereza Cristina (PP). À época, Ulysses já trabalhava ao lado de Santullo como adjunto, ainda no período em que Adriane Lopes era vice-prefeita.
Com a reeleição de Adriane, Marco Aurélio Santullo deixou o cargo para assumir a presidência estadual do Progressistas (PP), e a prefeita, junto ao deputado Lídio Lopes, convidou o advogado Youssif Domingos para chefiar a Secretaria de Governo. Ulysses permaneceu como adjunto, exercendo também as funções de comunicação institucional, acumulando responsabilidades sem reconhecimento oficial do cargo.
Agora, com a saída de Youssif, o adjunto apenas assume formalmente o posto que já exercia na prática, mantendo-se na mesma estrutura que já vinha desde o primeiro mandato da prefeita.
Acúmulo e continuidade
O fato é que, mesmo antes da nomeação, Ulysses Rocha já concentrava o controle da comunicação e das relações institucionais. Ele era o responsável direto por atender jornalistas, liberar pautas e gerenciar o fluxo de mídia e publicidade entre a prefeitura e as agências — um papel que, na prática, o colocava no centro do sistema de comunicação municipal, sem que houvesse um secretário titular da pasta.
Esse acúmulo de funções reforça o diagnóstico de que a atual gestão não se renovou, apenas remanejou internamente os mesmos nomes e funções.
Continuidade disfarçada de mudança
A troca de comando, portanto, está longe de significar um novo começo. A prefeita Adriane Lopes apenas substitui nomes sem alterar diretrizes, prioridades ou estratégias, mantendo o mesmo grupo político no controle.
Em um cenário de cortes salariais, insatisfação de servidores e críticas à falta de planejamento, o anúncio soa mais como mudança cosmética do que como uma verdadeira reorganização administrativa.
No fim das contas, a prefeitura troca as placas, mas o comando continua o mesmo — e Campo Grande segue sem ver resultados concretos.








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