Servidores questionam: “Se há R$ 1,7 milhão para enfeitar a cidade, por que temos de trabalhar menos sem salário maior?”

por | out 31, 2025 | Destaques, informes, NOTÍCIAS, política

Enquanto anuncia contenção de gastos e redução de jornada no funcionalismo, prefeita Adriane Lopes libera R$ 1,7 milhão para decoração natalina em Campo Grande.

A Prefeitura de Campo Grande anunciou, nesta semana, redução da jornada de trabalho para seis horas diárias durante 120 dias, com o argumento de “ajustar as contas públicas”. A medida vem acompanhada de corte de 20% nos salários do alto escalão, incluindo o da própria prefeita, Adriane Lopes (PP).
Mas, ao mesmo tempo, a administração municipal decidiu destinar R$ 1,7 milhão para a iluminação e decoração natalina da cidade — o que levantou críticas dentro e fora da Câmara Municipal.

Natal caro, contas no vermelho

De acordo com denúncia do vereador Marquinhos Trad (PDT), a prefeita ignorou uma lei municipal que permitiria que empresas privadas patrocinassem a decoração de Natal sem custo para os cofres públicos.
Em vez disso, Adriane preferiu bancar o evento com recursos municipais. O gasto milionário chamou a atenção pela contradição: enquanto a gestão fala em “austeridade”, o orçamento abre espaço para luzes, árvores e shows de fim de ano.

“Podia ter custo zero, mas a prefeita prefere gastar R$ 1,7 milhão com enfeites”, criticou Trad, destacando que a cidade enfrenta problemas bem mais urgentes — buracos nas ruas, crise na saúde e salários defasados no funcionalismo.

Servidores em segundo plano

Para os servidores municipais, as medidas adotadas pela prefeitura representam improvisação e desrespeito.
De um lado, a redução da jornada de trabalho de seis horas — apresentada como medida de contenção — mexe na rotina e produtividade sem oferecer qualquer ganho real. De outro, os gastos com “Natal dos Sonhos” mostram que falta gestão e sobra marketing.

“Se há dinheiro para enfeitar a cidade, por que não há recursos para valorizar quem faz a máquina pública funcionar?”, questionam os servidores.

A percepção é de que o corte de jornada é apenas um remendo administrativo, enquanto a verdadeira economia — o combate ao desperdício e à má alocação de recursos — continua sendo empurrada para depois.

Austeridade seletiva

A prefeita tenta justificar as decisões como forma de recuperar o equilíbrio financeiro da prefeitura, que teria ultrapassado o limite de 54% da Receita Corrente Líquida com gastos de pessoal, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Mas, na prática, a “austeridade” parece atingir apenas quem está na ponta.

Enquanto os servidores são pressionados com mudanças de rotina e cortes indiretos, o Paço Municipal libera verbas para eventos e iluminação que poderiam ser patrocinados pela iniciativa privada.
A contradição é clara: o discurso é de crise, mas o comportamento é de festa.

O descontentamento não vem só do funcionalismo. Nas redes sociais, moradores questionam o momento e o tamanho do investimento.
Com saúde pública em colapso, obras paradas e buracos se multiplicando nas ruas da Capital Morena, a escolha da prefeita soa como insensibilidade administrativa.

“Luzes não apagam o descaso com quem trabalha”, escreveu um servidor da área da educação, em publicação que viralizou entre os colegas.

O verdadeiro espírito de Natal

A crítica que se espalha entre os servidores é simples: se o objetivo era economizar, bastaria priorizar o essencial.
Com R$ 1,7 milhão, seria possível reforçar o atendimento médico, pagar pendências salariais, investir em creches ou melhorar o transporte público.

A decisão de gastar com enfeites natalinos — em plena crise fiscal — reforça a impressão de que o governo municipal perdeu o rumo e tenta compensar a má gestão com brilho e marketing.

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