Governador de Mato Grosso do Sul participa de encontro com Claudio Castro e defende criação de consórcio entre estados para fortalecer inteligência e segurança pública.
O governador Eduardo Riedel (PSDB) participou nesta sexta-feira (31), no Rio de Janeiro, de uma reunião convocada pelo governador Cláudio Castro, ao lado de outros chefes de Executivo estaduais, para discutir a grave crise de segurança pública que atinge o estado fluminense e suas conexões com o crime organizado em todo o país.
Com tom firme e preocupado, Riedel destacou que os episódios recentes no Rio “são um alerta para o Brasil inteiro” e defendeu a integração entre as forças estaduais como o único caminho possível para enfrentar o avanço das facções criminosas e das organizações de lavagem de dinheiro que atuam em diversos territórios brasileiros.
“Não há como não se sensibilizar com o que está acontecendo aqui. É lamentável que a gente tenha chegado a esse ponto. Temos que refletir sobre o que está acontecendo e sobre como fazer esse enfrentamento em relação à segurança pública”, afirmou o governador sul-mato-grossense.
Durante o encontro, Riedel lembrou que o Mato Grosso do Sul tem um papel estratégico no combate ao tráfico de drogas e ao crime de fronteira, sendo rota de passagem e de apreensão de grandes quantidades de entorpecentes.
“Aprendemos no Mato Grosso do Sul 500 toneladas de drogas só no último ano. Não somos o destino, mas sim a rota — e estamos combatendo o crime de fronteira com firmeza”, disse.
Riedel também ressaltou que o crime organizado é interligado nacionalmente, citando a presença de membros do Comando Vermelho e do PCC atuando em território sul-mato-grossense. Segundo ele, o enfrentamento precisa ser conduzido por meio de inteligência compartilhada e cooperação entre os estados, sem espaço para disputas políticas.
“Quem acha que o que ocorre aqui no Rio não tem conexão com o nosso estado está enganado. O crime se inter-relaciona em todo o país. Só há uma maneira de enfrentar: integração, inteligência e cooperação”, reforçou.
Entre as propostas debatidas, ganhou força a criação de um consórcio interestadual voltado exclusivamente à segurança pública, modelo que já existe em outras áreas da gestão pública e que deve ser amadurecido nos próximos encontros. O objetivo é criar estruturas conjuntas de inteligência, capazes de monitorar fluxos financeiros, lavagem de dinheiro e movimentações de facções criminosas.
“Saiu daqui um dever a ser cumprido: estruturar cada vez mais o relacionamento da nossa inteligência com outros estados. Não é uma tarefa fácil, é uma missão nacional. Precisamos nos desprender da política e das narrativas fáceis para buscar soluções concretas”, disse o governador.
Ao final, Riedel reforçou o compromisso de Mato Grosso do Sul com a segurança pública e com a defesa da integração federativa. “Não estamos isolados. A guerra é do Brasil inteiro. Vamos em frente, com a convicção de que só com união e inteligência venceremos o crime organizado”, concluiu.
A agenda reforça o protagonismo do Mato Grosso do Sul nas discussões sobre segurança e fronteira, consolidando o estado como referência nacional no combate ao tráfico, à lavagem de dinheiro e na defesa de políticas integradas de segurança pública.








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