Geopolítica não se resolve com bravata de Twitter.
Eduardo Bolsonaro sonha com navio de guerra americano no Brasil. Seria engraçado se não fosse trágico. Mandar um destroyer para cá significa abrir espaço para que navios chineses e russos encostem em San Francisco, bem onde estão as Big Techs que bancam os EUA. É bravata de botequim travestida de geopolítica.
O prato da China
A China engole 60% da soja mundial e o Brasil é o maior fornecedor. Só em 2024 foram 74,6 milhões de toneladas. Some carne, celulose, açúcar e você entende: mexer com o Brasil é mexer com a dieta de 1,4 bilhão de chineses. Substituto? Só no delírio de quem acha que o país ainda come cachorro.
O nó americano
Os EUA ainda ostentam o dólar, mas quem lucra é a China: produz em yuan, paga em yuan e recebe em dólar. Pequim ainda segura a terceira maior fatia da dívida americana e o monopólio das terras raras. Sem isso, não tem míssil, não tem defesa, não tem tecnologia. O que sobra? Retórica.
O combustível russo
Enquanto o mundo sancionava Putin, o Brasil multiplicou por 60 vezes a compra de diesel russo — de 100 mil para 6 milhões de toneladas por ano. Hoje, quase 90% do diesel importado vem da Rússia. Vai jogar essa receita bilionária no lixo por causa de um Bolsonaro júnior afoito? Nem Moscou, nem Brasília, muito menos Trump são tão ingênuos.
Ideologia não paga conta
Trump governa mais por ideologia do que por dinheiro. Cortou até papel higiênico da Casa Branca. Quer mesmo comprar uma guerra que pode custar o próprio trono?
Conclusão
Atacar o Brasil não é só atacar Brasília: é cutucar a dieta chinesa, a receita russa e o coração tecnológico americano. No fundo, Eduardo Bolsonaro deveria saber: pedir navio de guerra dos EUA é quase convidar navio chinês e russo para desfilar na Califórnia.
É bravata — e bravata não sustenta tabuleiro nenhum.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político.









0 comentários