O assassinato do ativista expõe o fracasso da democracia americana em sustentar um debate racional sobre armas e política.
O assassinato de Charlie Kirk não é só mais um crime político nos Estados Unidos. É a prova de que a racionalidade americana morreu — e foi substituída pela bala.
José Padilha acerta quando diz que o que mais assusta não é a cena em si, mas o desmanche do debate. A tal Segunda Emenda virou um dogma religioso. A direita trata a Constituição como escritura sagrada, escrita por “pais fundadores” que jamais imaginaram um mundo com internet, fuzis automáticos e jovens radicalizados em fóruns online. A esquerda, por outro lado, aponta números e estatísticas, mas o dado não convence quem prefere a retórica da arma engatilhada.
Resultado: não há debate, há eliminação. Quem discorda não é ouvido, é abatido. E quando até pesquisas sobre armas são proibidas pelo Partido Republicano, fica claro que a verdade virou inimiga do sistema.
A Austrália reduziu mortes quando pagou para recolher armas. Nos EUA, o lobby engorda e os cadáveres se acumulam. O caso Kirk é só mais um sintoma da falência de uma democracia que escolheu trocar argumentos por munição.
E não adianta dourar a pílula: a radicalização está dos dois lados. Só que enquanto a política for decidida no grito e na pólvora, a América seguirá dando ao mundo não o exemplo da liberdade, mas a caricatura da violência.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político.









0 comentários