Às vezes é preciso que o alerta chegue do lado de lá da fronteira para que a ficha caia por aqui.
A análise da jornalista Mônica Bergamo sobre a carta enviada por deputados do partido Democratas dos EUA ao presidente norte-americano é clara como a luz do sol: não se trata apenas de política externa, mas de defesa da democracia brasileira. O pedido para que Donald Trump pare de proteger Jair Bolsonaro e respeite as instituições do nosso país é um recado duro — e embaraçoso — para quem ainda insiste em relativizar o 8 de janeiro.
Segundo a carta, ao tentar intervir em favor de Bolsonaro, Trump conseguiu exatamente o contrário do que pretendia: desgastou os Estados Unidos e empurrou o Brasil para os braços da China. Em outras palavras, a política da “solidariedade entre golpistas” saiu cara para os americanos e não ajudou em nada Bolsonaro.
Não é pouca coisa o que está dito ali: o sistema judiciário brasileiro concluiu, julgou e condenou o ex-presidente. O que os parlamentares americanos cobram é simples — que os EUA respeitem o caminho da lei no Brasil. Não é alinhamento ideológico, é pragmatismo.
Quando Trump resolve travar uma guerra comercial para proteger seu “colega” de aventura golpista, prejudica não só as relações entre Brasil e EUA, mas também a própria classe média americana. É nesse ponto que a carta acerta em cheio: defender um aliado acusado de golpe não é política internacional, é miopia.
O governo brasileiro, segundo Bergamo, já espera novas sanções — talvez contra ministros, talvez contra figuras mais próximas. Mas o que importa aqui é o simbolismo: até parlamentares dos EUA reconhecem que Bolsonaro foi condenado e que seu projeto de ruptura institucional precisa ser tratado como o que é — uma ameaça vencida.
No fim, fica a lição: se lá fora já entendem, talvez esteja na hora de parte do Brasil parar de negar o óbvio.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político









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