As pessoas precisam parar de ver política como campeonato de futebol. Não é porque alguém defende a condenação de Bolsonaro e dos envolvidos no 8 de janeiro que automaticamente virou petista, lulista ou esquerdista. Às vezes, é só inteligência — e uma leitura mínima da realidade.
As provas da tentativa de golpe são robustas. Não dá pra relativizar: houve articulação, houve intenção e houve execução. Quem acompanha política de perto sabe disso. Eu, que assisti de camarote a Lava Jato e todo seu enredo, vi como uma operação que começou com boas intenções acabou se transformando em palanque. Sérgio Moro, o herói da vez, terminou sentado na cadeira de ministro do governo que ajudou a eleger. Depois saiu atirando, dizendo que não podia investigar os filhos do presidente. Isso não é invenção, aconteceu.
Então, quando eu digo que concordo com as prisões e condenações atuais, não é porque me alinho à esquerda, mas porque aprendi a reconhecer padrões: quando a justiça se desvia, o país sangra. Quando a justiça funciona, mesmo com todos os seus defeitos, o país respira. E aqui não tem mistério — o Brasil não vira uma Venezuela justamente porque não deixou a porta aberta para um projeto de perpetuação no poder pela força.
No fim das contas, não se trata de direita ou esquerda. Trata-se de entender que democracia não é um jogo onde se muda a regra quando se perde. É simplesmente inteligência: olhar os fatos, sem fanatismo, e perceber que a justiça feita agora é o que mantém de pé a possibilidade de disputarmos as próximas eleições em paz.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político









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