Um salvo-conduto para o crime, travestido de lei.
O texto da chamada “anistia” que circula em Brasília é mais do que um absurdo jurídico: é um deboche contra a democracia. O artigo primeiro já entrega o golpe: concede perdão amplo, geral e irrestrito para qualquer ato cometido desde 2019 — passado, presente e até futuro. É o sonho molhado do bolsonarismo: transformar crime em direito adquirido.
Não estamos falando de perseguição política. O texto abraça tudo: atentado contra o sistema eleitoral, incitação ao caos social, apologia a criminosos, associação a milícias privadas e até crimes contra o patrimônio. Se isso passa, fecha-se a Justiça brasileira. É a consagração da impunidade em escala industrial.
Na prática, seria a blindagem oficial para golpistas e criminosos organizados, de farda ou sem farda. Uma anistia preventiva para quem quiser rasgar a Constituição amanhã, depois de amanhã e enquanto durar o delírio autoritário.
Esse tipo de projeto não é só um erro legislativo — é um atestado de culpa. Quem precisa de perdão retroativo e preventivo não defendeu a democracia, atacou-a.
A história será implacável com os que assinarem embaixo dessa farsa. Porque anistiar golpe, milícia e crime não é reconciliação nacional. É a institucionalização da barbárie.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político.









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