O risco de acreditar que só um lado da moeda importa
A história mostra que a democracia sofre sempre que um extremo se sente autorizado a tomar o todo. Não importa se é a extrema direita ou a extrema esquerda: quando um grupo passa a acreditar que detém a verdade absoluta, a liberdade começa a definhar.
A extrema esquerda, por exemplo, pode cair na tentação de transformar justiça social em justificativa para o autoritarismo, perseguindo quem pensa diferente e relativizando direitos em nome de um “bem maior”. Do outro lado, a extrema direita já nos ensinou — e continua ensinando — como a obsessão por inimigos internos e externos pode corroer instituições e envenenar o debate público.
O perigo está em um ponto simples: os extremos se alimentam do medo, da raiva e da intolerância. Eles se retroalimentam. Quanto mais um cresce, mais o outro se fortalece. E no meio desse cabo de guerra está a sociedade, sufocada pela retórica inflamada e pelas soluções fáceis que nunca chegam.
Drummond escreveu: “A liberdade é defendida com discursos, mas é atacada com silêncio”. O silêncio diante dos abusos de qualquer extremismo é a senha para o retrocesso.
Por isso, o caminho não está em se ajoelhar diante de fanatismos, mas em reforçar a moderação, o diálogo e o respeito às regras do jogo democrático. Política não é campo de guerra, é espaço de convivência.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político









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