Como uma fake news sobre o Pix abriu espaço para o PCC e expôs a fragilidade do debate público no Brasil.
A fala do secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, jogou luz sobre um dos episódios mais emblemáticos da política recente: a onda de desinformação em torno da suposta taxação do Pix. O vídeo publicado por Nikolas Ferreira, que viralizou em janeiro, não apenas tumultuou o ambiente político, mas também teve consequência prática: impediu que o governo endurecesse a fiscalização sobre as fintechs, hoje um dos principais canais de movimentação financeira do PCC.
A ironia é amarga. O discurso inflamado contra uma “taxa inexistente” convenceu milhões de brasileiros e criou pressão suficiente para que a Receita Federal recuasse. O resultado desse recuo foi claro: o crime organizado manteve suas brechas abertas, ganhou tempo e espaço para seguir operando enquanto o debate público era sequestrado pela desinformação.
Esse episódio revela mais do que a eficácia das fake news. Ele expõe a fragilidade de nossas instituições diante da pressão digital, a manipulação de massas para fins eleitorais e, sobretudo, a irresponsabilidade de figuras públicas que, em nome do engajamento, abrem mão da verdade. Não se trata de um deslize inofensivo — quando a mentira vira política de comunicação, quem agradece não é o eleitor, mas o crime.
É preciso dizer sem rodeios: Nikolas Ferreira fez mais pelo PCC com um vídeo de um minuto do que anos de lobby silencioso poderiam fazer. A população, enganada, acreditou estar defendendo seu bolso, mas acabou, sem perceber, protegendo o caixa de uma facção criminosa. A democracia não sobrevive quando o engano vira estratégia e a mentira ganha status de projeto político.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em Mkt político.









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