The Economist reconhece a força da nossa democracia diante das sombras do autoritarismo.
A revista britânica The Economist acaba de dar um recado que muita gente insiste em ignorar: o Brasil, com todos os seus defeitos, está mostrando ao mundo como uma democracia sobrevive a investidas autoritárias.
Nos Estados Unidos, a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 não serviu de lição. O principal responsável por aquele episódio, Donald Trump, não só sobreviveu politicamente como já voltou ao poder, reeleito e sentado de novo na Casa Branca. É o retrato de uma democracia que escolheu esquecer seus próprios fantasmas.
Já no Brasil, Jair Bolsonaro – que incentivou o 8 de janeiro – está sendo processado, julgado e vai ser condenado. Aqui, a memória da ditadura militar pesa. Ela funciona como vacina. E é justamente essa cicatriz histórica que faz nossa democracia resistir.
É por isso que, mesmo com críticas duras à nossa Suprema Corte, ela tem sido peça-chave na guarda da Constituição. O elogio da The Economist não é pouca coisa. Uma revista inglesa, com peso global, aponta o Brasil como exemplo para os EUA.
Não gostar do Lula não dá salvo-conduto para exigir golpe, seja militar, seja com apoio estrangeiro. A regra é simples: quem acredita em democracia, precisa defendê-la mesmo quando o governo não é o de sua preferência.
Enquanto os Estados Unidos, com Trump reeleito, escolhem conviver com a sombra de seu passado autoritário, o Brasil mostra que aprendeu com os erros do seu. E se a The Economist enxerga isso lá de Londres, talvez esteja na hora de alguns brasileiros enxergarem daqui.
Joel Silva – Radialista e jornalista de formação especializado em mkt político.









0 comentários