Em discurso no Senado, o cientista político americano Steven Levitsky, autor do best-seller “Como as Democracias Morrem”, foi direto: há uma ironia imensa no fato de os Estados Unidos punirem o Brasil por algo que eles próprios não tiveram coragem de fazer. A crítica mira a ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acusado de tramar um golpe de Estado que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Levitsky lembrou que o episódio brasileiro é comparável à invasão do Capitólio por trumpistas em janeiro de 2021, em Washington. A diferença é gritante: Trump não foi responsabilizado. Já no Brasil, a Justiça avança de forma agressiva para apurar e punir quem atentou contra a democracia.
Para ele, como cidadão americano, a situação gera vergonha. “A grande ironia é que os Estados Unidos estão punindo o Brasil hoje por fazer o que os americanos deveriam ter feito. A Suprema Corte americana atrapalhou os esforços para pararem o Trump. Já a brasileira está agressivamente tentando processar Bolsonaro”, declarou.
A fala expõe o contraste entre as instituições: enquanto os EUA falharam em conter seu populismo autoritário, o Brasil, com todos os seus dilemas, buscou reagir. E agora sofre retaliações externas por não se curvar.
O recado de Levitsky é claro: o Brasil está pagando o preço por ousar fazer aquilo que os americanos não tiveram coragem de fazer. Em meio à hipocrisia internacional, resta ao país manter a firmeza de suas instituições – porque democracia não se defende com aplausos, mas com atitude.








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