Campo Grande (MS) – O vereador André Salineiro (PL) usou as redes sociais para repudiar a presença do ex-ministro José Dirceu (PT) na Câmara Municipal, durante audiência pública sobre a reativação da ferrovia Malha Oeste. Chamando Dirceu de “mentor do Mensalão” e sugerindo que a Casa deveria ser “desinfetada” após sua passagem, o parlamentar afirmou que figuras com histórico criminal não deveriam participar de debates estratégicos.
O que Salineiro omitiu é que o próprio presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, partido ao qual ele é filiado, também foi condenado no escândalo do Mensalão. Valdemar recebeu pena de 7 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, tendo cumprido parte da condenação em regime semiaberto. Na época, o PL esteve no centro do esquema de compra de apoio parlamentar no governo Lula — fato amplamente noticiado, inclusive por veículos internacionais como a BBC.
Ou seja, enquanto aponta o dedo para um adversário político, Salineiro ignora que a cúpula da sua própria sigla carrega um histórico semelhante. A diferença está apenas no lado da trincheira política: para o vereador, corrupção do outro é intolerável, mas corrupção “de casa” parece não incomodar.
Essa seletividade no discurso não só fragiliza a credibilidade de quem critica, como também expõe a incoerência que permeia grande parte da política brasileira — onde a indignação é muitas vezes guiada por conveniência partidária, e não por princípios consistentes contra a corrupção.








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