Donald Trump voltou a dar uma aula prática de como concentrar poder, usando o medo como combustível. Ao invocar a Seção 740 da Lei de Autonomia do Distrito de Columbia, assumiu o controle direto da Polícia Metropolitana de Washington D.C. e anunciou o envio de 800 homens da Guarda Nacional. O discurso: combater uma suposta escalada da criminalidade. A realidade: os dados oficiais mostram que crimes violentos caíram 26% na cidade neste ano.
Na mesma fala, Trump exigiu que os moradores de rua saiam “imediatamente” da capital, prometendo relocá-los “longe” e ameaçando prisão para “criminosos”. Isso não é política pública — é limpeza social. E quando essa ideia se combina a uma retórica que pinta grupos vulneráveis como ameaça, o resultado é um terreno fértil para abusos.
Historicamente, essa estratégia não é nova. Adolf Hitler, nos anos 1930, também construiu apoio popular associando “ordem” e “pureza” à remoção forçada de pessoas indesejadas do espaço público — fossem elas judeus, ciganos, deficientes ou opositores políticos. Não é dizer que a América de Trump seja a Alemanha nazista, mas o mecanismo psicológico é o mesmo: eleger um inimigo interno, criar um clima de emergência e usar a máquina do Estado para “limpar” as ruas.
A diferença entre segurança e perseguição está na intenção e no método. Combater gangues e redes criminosas é dever de qualquer governo. Criminalizar a pobreza, usar a força para expulsar pessoas de um território e centralizar poder policial sem debate democrático é outra história — e uma história que já conhecemos.
O alerta é claro: quando um líder se apresenta como salvador contra um perigo inflado ou distorcido, é hora de questionar quem realmente está em perigo. Em Washington, talvez não seja a população “protegida” por Trump, mas aqueles que ele quer remover do mapa.
Joel Silva – Jornalista, radialista com pós em Mkt politico









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