Pela primeira vez no ar em Campo Grande pela sintonia 88,9 FM, a primeira do dial do seu rádio, o programa “A Banca”, da Rede Top FM, entrevistou, nesta terça-feira (28), o deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP-MS), que falou sobre a situação política devido ao tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para os produtos brasileiros. Ele também comentou a respeito da gestão da prefeita da Capital, Adriane Lopes (PP), do seu mandato na Câmara dos Deputados e que colocou o nome à disposição para ser candidato ao Senado em 2026.
“Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro foi recebido na Casa Branca pelo Trump no seu primeiro mandato e ambos verificaram que tinham uma história política parecida, criou-se um laço de amizade. Agora, Bolsonaro está sendo vilipendiado, humilhado e perseguido no Brasil e isso chegou ao presidente Trump, que disse que, caso fosse eleito, ajudaria o amigo brasileiro”, explicou.
Ele prosseguiu, completando que, hoje, como Trump foi referendado em todas as frentes pela maioria da população americana ao colocar de uma forma bastante contundente aquilo que o povo americano queria dele, que era exatamente resgatar aquilo que ele diz ‘American First’, ou seja, resgatar o posicionamento americano no mundo.
“E inclusive a começar dentro do próprio país. E aí agora ele coloca essa situação, ele diz assim, olha, eu tenho que ajudar o meu amigo, mas a preocupação do Trump, primeiro, não é simplesmente ajudar o amigo, a preocupação dele é exatamente resgatar o posicionamento americano do mundo e que, claro, o comércio hoje é uma guerra constante e ele acaba fazendo exatamente isso”, analisou.
Sobre a carta de Trump postado nas redes sociais para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar disse que considerou a postagem um tanto quanto estranha. “Ele (Trump) começou falando, em uma carta de um presidente para outro presidente, dois chefes de Estado, de perseguição política, de fazer isso e fazer aquilo para só então entrar na questão da tarifa. Eu achei aquilo estranho e disse que o Trump tinha outras intenções”, pontuou, referindo-se que o presidente dos Estados Unidos usou o suposto pretexto de ajudar o amigo Bolsonaro para sobretaxar os produtos brasileiros.
A respeito da atuação do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para instigar o presidente Donald Trump a punir o Brasil, o Dr. Luiz Ovando ironizou, completando que “esse cara está sempre complicando a vida”. “Existem alguns aspectos que a gente só consegue alcançar com o tempo de vida, com a maturidade. Ali na Câmara dos Deputados, alguns inclusive chegam a mim e cobram determinadas posições contundentes e eu digo não, pois é com moderação e com serenidade que nós caminhamos e alcançamos o nosso objetivo”, afirmou.
O deputado federal completou que o caso de Eduardo Bolsonaro não é diferente. “Trata-se de um indivíduo inteligente, competente e experiente, porque já está no seu terceiro mandato. Talvez, se ele pensasse um pouco mais, conseguiria resultados mais abrangentes. O que a gente percebe é que tem havido uma crítica constante, inclusive a esse posicionamento dele, por várias lideranças da direita, inclusive, recentemente, o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, fez uma crítica, através de um vídeo, mostrando matérias do Eduardo”, revelou.
Ele analisou que, se estiver na atividade política e se preocupar com crítica, você também não anda. “Então, ele acredita que está fazendo exatamente o correto. Agora, nós precisamos ver, no desenrolar desta crise, se verdadeiramente o seu posicionamento será o correto ou não”, argumentou.
Perguntado sobre como o governo brasileiro precisa negociar com Trump, o Dr. Luiz Ovando fez uma analogia com uma grande família. “Recentemente faleceu uma tia minha que sempre falava para eu pedir a bênção para o meu tio, que é mais novo do que eu e aquilo era uma confusão, era uma briga danada. Aquele irmão mais jovem, não briga com o mais velho, ele briga exatamente com aquele que é imediato a ele. Quando você entra num serviço, a pessoa mais jovem é aquela que te ameaça ou que te dá chance, mas aquele lá de cima, você não chega nele. Então, nós precisamos comparar essa situação”, aconselhou.
Para ele, o Brasil, quer queira ou quer não, do ponto de vista econômico, é um país ainda muito pequeno comparado aos Estados Unidos e nós dependemos em muitas coisas da tecnologia, da ciência e da influência norte-americana. “O que nós temos que fazer? Temos que chegar e reconhecer e dizer: eu tenho produto para te vender que você tem interesse. Vamos sentar à mesa e conversar e negociar isso. O que você quer? Bom, aqui eu cedo, aqui eu não cedo, aqui eu vou fazer isso, vou fazer aquilo. Não é essa situação de prepotência, arrogância de alguém que não tem condição de competir com um país maior”, assegurou, referindo-se às declarações do presidente Lula depois do anúncio do presidente Trump.
Eleições 2026
Com relação às eleições de 2026, o deputado federal citou o nome da senadora Tereza Cristina, presidente estadual do PP, como sendo uma boa opção para ser candidata a presidente do Brasil ou como vice-presidente. “Eu já falei isso em outra oportunidade. E o que nós precisamos é sair da aventura. O Brasil vem passando, já há algum tempo, períodos de aventura presidencial que a gente precisa inclusive resgatar e colocar verdadeiramente alguém com espírito estadista”, justificou.
Para o parlamentar, a sua preferência é por quem realmente já mostrou serviço e é capaz de conciliar interesses e continuar avançando. “Nós temos alguns possíveis candidatos com esse perfil e a Tereza Cristina, com quem já conversei sobre isso e inclusive sobre a questão da vice-presidência, não diz nem sim, nem diz não, até por uma questão eu acho de modéstia, mas ela teria condição de assumir uma ou outra posição na dependência das suas prioridades várias”, analisou.
O Dr. Luiz Ovando reforçou que é preciso trabalhar para resgatar um projeto de nação. “O que tem acontecido é que nós estamos aí polarizando, vem aí o socialismo, que na verdade é socialismo mesclado de comunismo, em que você tem decisões estatais, opressoras e nós precisamos sair disso, dar condição ao desenvolvimento individual para que verdadeiramente a nação possa crescer”, pontuou.
A respeito da reeleição do governador Eduardo Riedel (PSDB), o deputado federal disse que ele está fazendo um bom trabalho, precisa apenas se firmar politicamente. “Ele precisa se desvencilhar de várias situações, inclusive para se exercitar politicamente, pois ainda é jovem, já foi secretário de Estado e esteve sempre sob o manto de uma liderança política. E, agora, tem de ser político e tem que exercitar isso. Mas ele está indo, ele é um indivíduo inteligente, competente, tem uma boa equipe e deve vir para a reeleição sem nenhuma dificuldade”, projetou.
No entendimento do parlamentar, o PP está aguardando a decisão do governador em relação à filiação, pois ele ainda não bateu o martelo se trocará o ninho tucano para ser um progressista. “Ele já conversou particularmente com a senadora, isso aí a senadora já me falou. Mas nós precisamos chegar e assinar a ficha, fazer a cerimônia de filiação que não aconteceu ainda. Nós estamos aguardando”, avisou.
Perguntando sobre o próprio futuro político, o Dr. Luiz Ovando disse que, quando se candidatou pela primeira vez a deputado federal, tinha sido imposto. “O PSC, partido pelo qual eu me candidatei, determinou que eu saísse candidato. Aí, eu tive uma votação razoável em Campo Grande, afinal estava sem dinheiro. Eu falei, está aí, eu tenho cara de deputado. Não consegui me eleger vereador e acabei me elegendo deputado federal. Foi questão de atitude”, brincou.
Agora, de acordo com ele, tem colocado o seu nome à disposição do PP. “Se o partido entender por bem, claro que a convenção é que vai decidir isso naturalmente e vou convencer as pessoas através de pesquisa. Vice-governador, algo que eu ainda não tinha pensado. A esposa não me quer no Poder Executivo por enquanto, vamos ver até quanto tempo eu vou viver e aí talvez ela possa mudar de ideia. Mas, a princípio, quero ser candidato a senador”, revelou.
Gestão da prefeita
O deputado federal ainda tratou sobre a gestão da prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP). “A primeira coisa que posso dizer é que eu não sou juiz, eu não estou aqui na situação de julgar isso ou aquilo, mas eu quero dizer que a prefeita está ajustando naturalmente. Ela pegou uma prefeitura com vários questionamentos e várias situações que levaram a esses questionamentos, aos quais nós não vamos entrar em detalhes. Mas o que eu espero é que a prefeita, através da sua ação, vá progressivamente atendendo a demanda da população”, declarou.
Ele recordou que quase foi o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Adriane Lopes devido à traição do PL. “Porque o que tinha sido acertado, é bom que se esclareça a população, era que o vice viria do PL. E aí o pessoal pegou e saiu pela porta do fundo, traiu, puxou o tapete da Tereza. Foi quando a senadora disse: olha, nós vamos ganhar essa porque a população não gosta de traição. E nós ganhamos”, ressaltou.
No entendimento do Dr. Ovando, a prefeita deve melhorar a gestão de Campo Grande progressivamente. “Sobre ser o candidato a vice, a minha proposição foi ajudar exatamente porque nós ficamos sem opção. E eu inclusive não pude ser porque não tinha me desincompatibilizado, pois ainda nós continuávamos acreditando no PL, que infelizmente foi pela porta do fundo e fez o que fez”, reclamou.
Assista a entrevista completa pelo link:






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