Washington (EUA), 28 de julho de 2025 – Uma comitiva de senadores brasileiros desembarcou nos Estados Unidos nesta segunda-feira (28) para tentar abrir um canal direto com o Congresso americano e discutir os impactos do chamado “tarifaço”, que prevê aumento de 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos EUA a partir de 1º de agosto.
A missão é liderada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), e conta com nomes de diferentes partidos: Tereza Cristina (PP-MS), Jacques Wagner (PT-BA), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC), Fernando Farias (MDB-AL), Carlos Viana (Podemos-MG) e Rogério Carvalho (PT-SE).
Primeiras agendas
O grupo começou os trabalhos com um café institucional na residência oficial da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. O encontro contou com a presença do ex-diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, e abordou os esforços diplomáticos iniciados ainda em março para tratar do tema.
A embaixadora lembrou que, apesar do diálogo técnico entre os governos, houve ruptura nos entendimentos, o que levou os EUA a impor a tarifa de forma unilateral. Agora, o Senado busca atuar de forma suprapartidária para retomar as pontes e defender os interesses brasileiros.
Reuniões estratégicas
Nesta segunda-feira, os senadores também se reuniram com representantes da U.S. Chamber of Commerce, entidade que reúne empresários e lideranças do setor produtivo americano. Já nesta terça (29), estão previstas seis reuniões com parlamentares norte-americanos, com foco em construir uma saída diplomática para o impasse comercial.
Declarações

Para o senador Nelsinho Trad, o movimento é necessário:
“Viemos para distensionar o ambiente e mostrar que não se trata de uma guerra comercial, mas de uma relação que precisa ser mantida com diálogo e bom senso. Todos perdem com essa tarifa.”
A senadora Tereza Cristina, que integra a Frente Parlamentar da Agropecuária, destacou que o agronegócio brasileiro pode ser um dos setores mais afetados.
“Precisamos garantir previsibilidade para os produtores. Essa tarifa ameaça empregos e exportações”, alertou.
Já o líder do governo no Senado, Jacques Wagner, admitiu que é difícil reverter a medida de imediato, mas destacou a importância do gesto político:
“Essa é uma diplomacia parlamentar. Estamos dizendo aos americanos que o Brasil quer conversar e manter uma relação madura entre as duas nações.”
O que está em jogo
A sobretaxa imposta pelos EUA atinge diretamente produtos como carne bovina, aço e minério, com impacto estimado em bilhões na balança comercial. Para os senadores, o Brasil não pode abrir mão de seus principais mercados e precisa se posicionar com firmeza, mas sem romper o diálogo.
Com Asscom Senadora Tereza Cristina








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